Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Nascido e criado em Baltimore, Marcus Brown andou a saltitar (chegou a viver em Los Angeles porque andava a ver muitos filmes de David Lynch - R.I.P.) até que, durante a pandemia, regressou à sua cidade para escrever, gravar e produzir o seu álbum de estreia, Erotic Probiotic 2, um trabalho (editado pela londrina Scenic Route em 2023) que lhe daria fama e proveito (da crítica especializada como Pitchfork e The Guardian a tecer-lhe os maiores elogios até à reputada XL Recordings assiná-lo).
Nourished By Time, o nome artístico que ficou depois de outros como Riley With Fire e Mother Marcus caírem, não se agarra com unhas e dentes às décadas de 80 e 90, mas o seu centro cósmico-musical vem daí. Um super fã das SWV (a sua música favorita de sempre é “Weak”) que se formou em Songwriting na prestigiada Berklee College of Music (uma experiência que odiou, no entanto, e que lhe deu as bases para compreender que bom gosto é tão ou mais importante do que estudo). Colocando-se entre o pós-r&b e a música pop de esquerda (palavras do próprio nos dois casos), o cantor, compositor e produtor americano é uma figura estranhamente cativante que trabalha a nostalgia sonora pelo mesmo ângulo que Mk.gee, outro prodígio que se rege pelo melodismo que consegue retirar da guitarra, só que dá-lhe gravidade e distingue-se através da sua voz. Dentro do campo das referências e de criadores com apelo semelhante, Arthur Russell, Prince, David Bowie e Dean Blunt são outros nomes que costumam surgir nas conversas sobre NBT, estetas de grande sofisticação pop que sempre conseguiram injectar singularidade e algum tipo de mistério nas suas criações.
Depois de Catching Chickens, EP lançado em 2024, confirmar e amplificar o seu potencial para inventar grandes hinos (“Hell of a Ride” confirma-o), Marcus prepara-se para mostrar o seu segundo longa-duração, que já tem título, The Passionate Ones, e que vai buscar inspiração (segundo declarações publicadas numa entrevista à Crack Magazine) a clássicos de rap como The College Dropout de Kanye West e The Blueprint de Jay-Z mas também a Meatloaf e Ennio Morricone, sem esquecer as já referenciadas SWV ou Jodeci. Não dá para prever o que vamos escutar a partir desta mescla, mas as pistas entusiasmam.
Depois de conseguir agigantar-se a partir de uma cave com a mente entre um coração partido e uma vontade enorme de destruir o capitalismo, este escritor de canções – que se vê como um escultor do invisível – só quer inventar o que queria muito que existisse, seja isso um mundo melhor ou música para sonhar e dançar que ainda não ouviu. Paixão e talento não lhe falta, basta que o tempo continue a nutri-lo. (Alexandre Ribeiro)
Abertura de Portas
20:30
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